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	<title>Loren Kirsten, Autor em Tecnoveste</title>
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	<description>Notícias de tecnologia, ciência, empreendedorismo e cultura digital</description>
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	<title>Loren Kirsten, Autor em Tecnoveste</title>
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		<title>Contracultura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Loren Kirsten]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2020 18:00:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência e Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conceito: Contracultura é o ato de questionar-se sobre a cultura do momento, em outras palavras, é o de contestar os padrões e regras, tanto políticas, religiosas, como sociais. É protestar e, até mesmo, rebelar-se, fazer o que for para haver mudanças coletivas, quase sempre promovendo a liberdade. Onde surgiu (resumidamente)? Com o fim da segunda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h1 data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 18pt">Conceito: </span></h1>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 12pt">Contracultura é o ato de questionar-se sobre a cultura do momento, em outras palavras, é o de contestar os padrões e regras, tanto políticas, religiosas, como sociais. É protestar e, até mesmo, rebelar-se, fazer o que for para haver mudanças coletivas, quase sempre promovendo a liberdade.</span></p>
<h1 data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 18pt">Onde surgiu (resumidamente)?</span></h1>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 12pt">Com o fim da segunda gu<a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Central_Park_April_5_1968.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-20124 alignright" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Central_Park_April_5_1968.jpg?resize=322%2C214&#038;ssl=1" alt="" width="322" height="214" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Central_Park_April_5_1968.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Central_Park_April_5_1968.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Central_Park_April_5_1968.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Central_Park_April_5_1968.jpg?resize=90%2C60&amp;ssl=1 90w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Central_Park_April_5_1968.jpg?resize=180%2C120&amp;ssl=1 180w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Central_Park_April_5_1968.jpg?resize=95%2C64&amp;ssl=1 95w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Central_Park_April_5_1968.jpg?w=1440&amp;ssl=1 1440w" sizes="(max-width: 322px) 100vw, 322px" /></a>erra mu</span><span style="font-size: 12pt">ndial, as pessoas não queriam reviver um conflito igual. Por isso, nos Estados Unidos, a Guerra do Vietnã, o seu alistamento obrigatório e as inúmeras mortes, geraram muita insatisfação. A partir disso, em 1968, o Central Park reuniu 60 mil pessoas pelo fim da guerra, motivador essencial para o início de uma onda de protestos ao redor do mundo. Além disso, no contexto da Guerra Fria, os Estados Unidos viviam os &#8220;anos de ouro&#8221;, um período de forte expansão econômica e capitalista e, os jovens, em grande parte, estavam insatisfeitos com a pressão consumista desse sistema. Como também, em abril de 1968, Martin Luther King foi assassinado. Tudo isso desencadeou inúmeros movimentos, sendo os protagonistas nos EUA, o movimento hippie, a favor da liberdade e da igualdade entre sexos, os panteras negras, que lutavam contra a política de segregação racial e o WoodstockFestival, um festival que se tornou um movimento por reunir cerca de 500 mil pessoas, com o intuito de propagar a liberdade de expressão e de promover a paz. </span></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 12pt"><span style="font-size: 14pt">Recomendação de filme:</span> O filme, Forrest Gump retrata alguns grandes ocorridos históricos nos EUA, é fácil situar a época na qual o filme se passa, nos anos 60 e 70, sendo uma ótima aula (mesmo que rápida e básica) para saber mais sobre alguns dos importantes presidentes, seus feitos e as características históricas da época. Dentre suas referências históricas estão as mais importantes: o grupo Ku Klux Klan, movimento hippie, os panteras negras, segregação racial no Alabama e a guerra no Vietnã.</span></p>
<h1 data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 18pt">E no Brasil?</span></h1>
<p data-speechify-sentence=""><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class=" wp-image-20129 aligncenter" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Ditadura-Flickr-1.jpg?resize=411%2C247&#038;ssl=1" alt="Repressão militar na Praça da Sé. Foto: Evandro Teixeira." width="411" height="247" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Ditadura-Flickr-1.jpg?resize=300%2C180&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Ditadura-Flickr-1.jpg?resize=1024%2C614&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Ditadura-Flickr-1.jpg?resize=768%2C461&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Ditadura-Flickr-1.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w" sizes="(max-width: 411px) 100vw, 411px" />                              Repressão militar na Praça da Sé. Foto: Evandro Teixeira.</p>
<p data-speechify-sentence="">Também, em contexto de Guerra Fria, o Brasil era fortemente influenciado pelo capitalismo estadunidense e pelo medo do comunismo, junto a crise do populismo e a instalação de um regime ditatorial. Entretanto, mesmo em meio a um estado social e político altamente repressor, os movimentos contracultura no Brasil ganharam força somente nos &#8220;Anos de Chumbo&#8221;, com o decreto do AI-5 (<a href="https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-foi-ai-5.htm"><strong>Ato Institucional nº 5)</strong></a>, emitido em 1968, inaugura-se o período mais sombrio da ditadura:</p>
<blockquote data-read-aloud-multi-block="true">
<p data-speechify-sentence=""> O historiador Kenneth P. Serbin opina que, por meio do AI-5, as forças de segurança do governo tiveram carta branca para ampliar a campanha de perseguição e repressão contra a esquerda revolucionária, oposição democrática e Igreja.</p>
</blockquote>
<p data-speechify-sentence="">Dentre os movimentos mais marcantes, estão, o velório de Edson Luís, menino de apenas dezesseis anos morto pelos militares, que reuniu cerca de 50 mil pessoas, como também, a passeata dos cem mil, na qual reuniu trabalhadores, políticos, artistas, professores, religiosos e estudantes decididos a questionar a repressão daqueles tempos.</p>
<p data-speechify-sentence=""><em>SOUSA, Rainer Gonçalves. &#8220;O Brasil em 1968&#8221;; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/o-brasil-1968.htm. </em></p>
<blockquote data-read-aloud-multi-block="true">
<h6 data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 18.6667px">Contracultura na música brasileira: </span></h6>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 12pt">Com o início do regime militar, “os artistas se reorganizaram para lutar contra a </span><span style="font-size: 12pt">opressão e fazer oposição, tendo na arte a arma mais pungente” <a href="https://ken.pucsp.br/aurora/article/viewFile/14201/12796">(OLIVEIRA,</a></span><span style="font-size: 12pt">2006, p.50). Na década de 1960, a canção brasileira se torna mais engajada, fazendo referência ao país onde se vivia, onde se queria viver e onde não se queria viver <a href="https://ken.pucsp.br/aurora/article/viewFile/14201/12796">(QUEIROZ, 2004, p. 23)</a>. </span></p>
<p class="materiaText03" data-speechify-sentence="">Como expõe Waldenyr Caldas, a música popular brasileira ficou por conta do retorno da bossa nova, que falava apenas de temas suaves como o amor, a rosa, a flor, o barquinho, o mar, a praia, o sol e outros substantivos sem compromisso com a resistência política daquele momento. Nem poderia ser diferente. Não havia nenhuma chance de contestar o ‘establishment’. Apenas alguns poucos talentos como Milton Nascimento, o Som Imaginário e Elis Regina, entre outros, ainda conseguiam realizar alguns trabalhos isolados.</p>
<h4 data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">O Tropicalismo</span>:</h4>
</blockquote>
<p data-speechify-sentence="">Caracterizado por ser um movimento libertário e revolucionário, buscava aproximar a música brasileira dos aspectos da cultura popular, do samba, do pop, do rock e da psicodelia.</p>
<blockquote>
<h4><a href="http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/9o-encontro-2013/artigos/gt-historia-da-midia-sonora/tropicalia-a-contracultura-na-musica-popular-brasileira" class="broken_link"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" class=" wp-image-20131 aligncenter" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Tropicalia.jpg?resize=344%2C267&#038;ssl=1" alt="" width="344" height="267" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Tropicalia.jpg?resize=300%2C233&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Tropicalia.jpg?resize=768%2C597&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Tropicalia.jpg?resize=45%2C35&amp;ssl=1 45w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Tropicalia.jpg?w=900&amp;ssl=1 900w" sizes="(max-width: 344px) 100vw, 344px" /></a></h4>
</blockquote>
<p data-speechify-sentence=""><a href="http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/9o-encontro-2013/artigos/gt-historia-da-midia-sonora/tropicalia-a-contracultura-na-musica-popular-brasileira" class="broken_link">Além disso, </a><a href="http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/9o-encontro-2013/artigos/gt-historia-da-midia-sonora/tropicalia-a-contracultura-na-musica-popular-brasileira" class="broken_link">a bossa nova, o rock dos Beatles e de </a><a href="http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/9o-encontro-2013/artigos/gt-historia-da-midia-sonora/tropicalia-a-contracultura-na-musica-popular-brasileira" class="broken_link">Roberto Carlos, foram influências fortes para a Tropicália.</a> Nomes como, Os mutantes, Novos baianos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Raul Seixas, Nara leão, João Gilberto, Gal Costa, entre outros, fizeram parte do grupo Tropicália. O movimento tropicalista tentava incorporar-se à sociedade por meio de elementos de identificação da cultura de massa. Sendo que ao tentar criar um movimento de massa, fugindo dos padrões, foram alvos de muita crítica e revolta. Entretanto, com o passar tempo, a tropicália acabou voltou-se contra seus ideais, apropriando-se da indústria cultural, que inicialmente tinha o objetivo de alcançar os brasileiros, para somente gerar consumo e lucro. No fim, mesmo com forte influência, publicidade e tendo conquistado um numeroso público, a repressão ditatorial fez com que o grupo acabasse, principalmente, pelo exílio de Caetano e Gilberto Gil.</p>
<ul data-read-aloud-multi-block="true">
<li style="list-style-type: none" data-speechify-sentence="">
<h4><span style="font-size: 14pt">O Clube da esquina</span>:</h4>
</li>
</ul>
<p data-speechify-sentence="">Em meio a opressão militar nas ruas, “Clube da Esquina” surge com a ideia de espaço na qual há possibilidade do encontro, do afeto e da utopia. Seus protagonistas centrais eram Milton Nascimento, irmãos Márcio Borges e Lô Borges.</p>
<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20132 aligncenter" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/download.jpg?resize=379%2C277&#038;ssl=1" alt="" width="379" height="277" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p data-speechify-sentence="">A partir disso surgem ideais de <em>brasilidade, modernidade </em>e <em>mineiridade </em>contrários ao ufanista “ame-o ou deixe-o” expresso na típica propaganda política. Por outro lado, <a href="https://ken.pucsp.br/aurora/article/viewFile/14201/12796">as composições do Clube</a> criavam uma ponte, a partir de uma linguagem poética, com aspectos sócio-políticos, apontando a opressão presente nos anos de 1960. Em suas produções, a relação com o contexto cultural, social e político aparece nas letras em alguns momentos de forma esperançosa, criando uma contraposição à repressão vigente e, em outros, uma relação com os valores da contracultura. Por meio da mistura de traços rítmicos de estilos como jazz e música africana, considera-se que o clube resistiu ao âmbito repressivo, de forma inovadora e poética, mas não alienada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Carolina Maria de Jesus, a favela é o quarto de despejo.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Loren Kirsten]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 11:52:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus. A fome foi a sua vida, ela não viveu, ela sobreviveu. “O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora” (JESUS, p.29). &#160; &#160; Foto de um dos diários de Carolina Maria de Jesus. &#160; &#160; &#160; &#160; Escrevendo, Carolina [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h1 data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 18pt"><strong>Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus.</strong></span></h1>
<blockquote>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">A fome foi a sua vida, ela não viveu, ela sobreviveu.</span></p>
</blockquote>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt"> “O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora” (JESUS, p.29).</span></p>
<h1><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/miseria_pela_mao_img_2.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20103 alignleft" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/miseria_pela_mao_img_2.jpg?resize=489%2C282&#038;ssl=1" alt="" width="489" height="282" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/miseria_pela_mao_img_2.jpg?resize=300%2C173&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/miseria_pela_mao_img_2.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w" sizes="(max-width: 489px) 100vw, 489px" /></a></h1>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: 14pt">Foto de um dos diários de Carolina Maria de Jesus.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p data-speechify-sentence="">
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">Escrevendo, Carolina não só relatou o estado degradante em que vivia e as atrocidades que sofria, mas fez do seu relato de vida uma obra prima, misturando crítica política e social com poesia, através disso, fez um importante registro histórico, eternizando o sofrimento de todos os favelados e de um povo renegado e maltratado. Carolina demonstrava, em muitos aspectos, ser uma pessoa culta e amante do conhecimento, o livro conta com citações inusitadas e um considerável repertório sociocultural, para alguém semianalfabeta e tendo estudado somente até o 2º ano do fundamental.</span></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">Outro ponto importante acerca de sua pessoa foi que Maria não se deixou corromper pelas maldades e instintos de sobrevivência animalescos das pessoas ao seu redor. Ameaçada constantemente de morte, sua rotina na favela era composta por brigas deploráveis, pessoas tacando esterco em seus filhos, suicídio, assédio, pornografia, roubos e furtos, que “eram?” comuns no ambiente da favela retratado.</span></p>
<p><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/carolina-maria-de-jesus.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20085 alignleft" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/carolina-maria-de-jesus.jpg?resize=379%2C273&#038;ssl=1" alt="" width="379" height="273" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/carolina-maria-de-jesus.jpg?resize=300%2C216&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/carolina-maria-de-jesus.jpg?resize=373%2C270&amp;ssl=1 373w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/carolina-maria-de-jesus.jpg?resize=567%2C410&amp;ssl=1 567w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/carolina-maria-de-jesus.jpg?resize=475%2C342&amp;ssl=1 475w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/10/carolina-maria-de-jesus.jpg?w=679&amp;ssl=1 679w" sizes="(max-width: 379px) 100vw, 379px" /></a></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">Não obstante, em meio a tanto ódio, ela ainda tinha amor pela vida e pela natureza.</span></p>
<blockquote>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt"> “&#8230;Dizem os velhos que no fim do mundo a vida ia ficar insipida. Creio que é história, porque a natureza ainda continua nos dando de tudo. Temos as estrelas que brilham. Temos o sol que nos aquece. As chuvas que cai do alto para nos dar o pão de cada dia” (JESUS, p.144) .</span></p>
</blockquote>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">Sua força física, psicológica e emocional, é inspiração, é lição.</span></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">Enfim, fica o questionamento, como podemos julgar os atos daquelas pessoas, se elas não vivem, mas sobrevivem, são animais selvagens tentando sobreviver. Como exigir racionalidade, controle próprio de alguém que mal possui glicose no sangue, é desumano, a fome é desumana. Por isso, o dia-dia na favela, segundo Carolina era permeado pela discórdia, raiva, incestuosidade, perversão e nojeira.</span></p>
<h2 data-speechify-sentence=""><strong><span style="font-size: 18pt">Um pouco de contextualização, um pouco de crítica:</span></strong></h2>
<p data-speechify-sentence=""><a href="https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2824329/mod_resource/content/1/GIANBIAGI%20ECONOMIA%20BRASILEIRA%20CONTEMPOR%C3%82NEA%2C%202A%20ED_.pdf">https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/2824329/mod_resource/content/1/GIANBIAGI%20ECONOMIA%20BRASILEIRA%20CONTEMPOR%C3%82NEA%2C%202A%20ED_.pdf</a></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">O diário se passa no período de 1955 a 1960, época em que o pós-guerra ainda tinha forte influencia na economia brasileira. O governo era de Juscelino Kubitschek, vindo de partido com correntes getulistas, o foco só podia ser na industrialização e modernização, desencadeado a partir do “plano de metas”. De qualquer forma, os “Anos de ouro” foram pra quem? JK foi foco de ironização por Maria:</span></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">“Você já viu um cão quando quer segurar a cauda com a boca e fica rodando sem pega-la? É igual o governo do Juscelino” (JESUS, P.134) .</span></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">“Eu não gosto do Kubstchek. O homem que tem um nome esquisito que o povo sabe falar, mas não sabe escrever” (JESUS, p.70).</span></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">Essa história de ascenção do país, a partir da industrialização é clichê quando se trata dos mais pobres, pois a economia é sempre priorizada. Entretanto, os desprovidos de recursos são deixados de lado, por mais que sejam a base do ciclo geral da economia. Prova desse descaso, que não é citado no livro, é a desocupação da favela Canindé, na qual Maria morava:</span></p>
<blockquote data-read-aloud-multi-block="true">
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">Após uma enchente muitos moradores tiveram seus barracos e pertences destruídos e foram obrigados a se</span> <span style="font-size: 14pt">mudar. A Divisão de Serviço Social do Município junto ao Movimento Universitário de Desfavelamento, promoveu a execução de um plano para a remoção total da favela, contudo, a prefeitura não deu nenhum apoio ao programa além do financiamento e dos poucos técnicos disponibilizados, 4 assistentes sociais, 2 advogados e 3 engenheiros (SILVA, 2009).</span></p>
<p data-speechify-sentence=""><a href="http://www.favelasaopaulomedellin.fau.usp.br/wp-content/uploads/2015/11/SATO_IniciacaoCientifica.pdf">http://www.favelasaopaulomedellin.fau.usp.br/wp-content/uploads/2015/11/SATO_IniciacaoCientifica.pdf</a></p>
</blockquote>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">Em conclusão, se isso parece suficiente para resolução do problema, se coloque no lugar dessas famílias, elas eram removidas para áreas periféricas, muito distantes de onde moravam e até mesmo para outros municípios. No fim das contas, o tratamento era feito de forma assistencialista, sem nenhum acompanhamento constante, ajudavam só naquele momento emergencial, ao invés de combater as causas que permeavam seu estado de pobreza. Sendo que, muitas vezes, essa transferência resultavam no surgimento de novas favelas.</span></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">Nesse viés, surge outra reflexão com base no livro “Quarto de Despejo”, quem é melhor para opinar sobre a sociedade e a política se não quem sofre toda a negligência e descaso do governo, quem está na primeira estratificação da pirâmide social e que é pisado pelos maiores. Carolina mostra tudo isso, expondo, por exemplo, a inflação, lutando diariamente com o preço dos produtos alimentícios mais básicos:</span></p>
<blockquote data-read-aloud-multi-block="true">
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt"> “&#8230;Os preços aumentam igual as ondas do mar. Cada qual mais forte. Quem luta com as ondas? Só os tubarões. Mas o tubarão mais feroz é o racional. É o terrestre. É o atacadista.” (JESUS, p.60).</span></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">“&#8230;Os atacadistas de são Paulo estão se divertindo com o povo igual os Cesar quando torturava cristãos. Só que o Cesar da atualidade supera o Cesar do passado. Os outros era perseguido pela fé. E nós, pela fome!&#8230;” (JESUS, p.146).</span></p>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt">“Politico quando candidato </span><span style="font-size: 14pt">Promete que dá aumento </span><span style="font-size: 14pt">E o povo vê que de fato </span><span style="font-size: 14pt">Aumenta o seu sofrimento!” </span><span style="font-size: 14pt">(JESUS, p.135)</span></p>
</blockquote>
<p data-speechify-sentence=""><span style="font-size: 14pt"> Por esse e outros vários motivos, conclui-se a tamanha importância e necessidade de ler este livro, para sair da caixinha, da bolha, para expandir o campo opinativo, para conhecer outras realidades, realidades que nunca deixarão de existir. Deveria ser obrigatório ouvir os marginalizados, ouvir a classe trabalhadora e predominante. Deveria ser obrigatório pensar mais nos outros, se importar mais com os outros, ter mais empatia.</span></p>
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