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	<title>Arquivos Bagno | Tecnoveste</title>
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		<title>Histórias do português: fala errada ou diferente?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pedro Rosemberg]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2019 09:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bem Estar & Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência e Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>História  Chegando em Lisboa, a capital de Portugal, leio em um cartaz &#8216;Seja bem vindo à Portugal, terra dos vinhos, do bacalhau e das melhores histórias&#8217;. Leio novamente não acreditando estar na Europa. Ao meu lado, uma mulher diz &#8216;Aquela rapariga ali me disse isso…&#8217;. Pensei em rir, algo que de fato fiz.  Entro na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h5><b>História </b></h5>
<blockquote><p><span style="font-size: 10pt">Chegando em Lisboa, a capital de Portugal, leio em um cartaz &#8216;Seja bem vindo à Portugal, terra dos vinhos, do bacalhau e das melhores histórias&#8217;. Leio novamente não acreditando estar na Europa. Ao meu lado, uma mulher diz &#8216;Aquela rapariga ali me disse isso…&#8217;. Pensei em rir, algo que de fato fiz. </span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Entro na <i>bicha</i>, que segundo eles <i>lá</i> é tipo fila indiana. Normal para eles, estranho pra mim. Chamaram-me de <i>puto</i>, como se estivessem chamando um adolescente qualquer.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Para entrar na universidade, paga-se uma <i>propina</i>, uma taxa ou imposto, considerada normal, como uma matrícula. Enfim, estou abismado.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Fui tomar uma <i>bica</i> com um <i>cacete</i> ao estilo francês e biscoitos no chá da tarde. Encontro um grupo de <i>canalhas</i> brincando próximo ao restaurante em que eu estava comendo uma deliciosa <i>punheta</i> de bacalhau. Fiquei com uma grande <i>ponta</i> do prato, afinal, adoro uma degustação. </span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Lá, nas terras lusitanas, não <i>enfresquei-me</i>, mas bebi uns goles de vinho e de cerveja boa. Ajudei um <i>invisual</i> ao atravessar a rua e ajustar seu <i>capachinho</i>.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Fui obrigado a comparecer em um consultório de um <i>estomatologista</i> conhecido do bairro próximo ao Aeroporto. Conversei com o <i>empregado de mesa</i> sobre como é atender em Lisboa pessoas de todo o mundo e, depois da conversa, cantamos Boate Azul e Garçom. Percebi que uma <i>rapariga</i> próxima <i>estava de histórias</i> e não sentei-me perto.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Conheci <i>fufas</i> e <i>paneleiros</i>. </span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Esperei o ônibus na <i>paragem</i> e me deleitei com cantigas do local. </span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Tomei <i>sumo</i> de laranja, algo que foi maravilhoso.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Enfim, a viagem toda foi muito boa.”</span></p></blockquote>
<h4><b>Estigma</b></h4>
<p>Apenas quando ouvimos falares singulares que percebemos o quão amplo a mesma língua pode ser. Após o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, na qual atingiu sua execução completa e definitiva em 2016, passando ao uso obrigatório, que houve uma padronização  ortográfica do português.</p>
<p>Junto da padronização, encontra-se também, uma maior acentuação das diferenças, uma vez que, como nos faz pensar Marcos Bagno, um dos maiores pesquisadores em sociolinguística do país, em seu artigo <a href="http://www.scielo.br/pdf/rbla/v5n1/04.pdf" class="broken_link"><i>Tarefas da Educação Linguística no Brasil</i></a>: a padronização é uma tentativa de alterar e, muitas vezes, de findar as diferenças linguísticas, seja entre falantes (grupos e indivíduos), através da estigmatização de sua fala; seja entre países, onde aplica-se políticas de enobrecimento de povos, raças e pensamentos &#8211; como ocorreu no Brasil através da colonização portuguesa.</p>
<p>Como em seu livro <em>Preconceito Linguístico</em>, Bagno ainda indica que até no Brasil não há falares errados, e sim, diferentes. Devido aos diferentes fatores, como influências históricas, a ciclicidade da língua, a alteração pelos próprios falantes e a aglutinação de palavras de outras línguas, diferenciações regionais, de letramento e etc., podem fazer com que a mesma língua tenha modos diferentes de se falar, tornando-a algo muito mais pessoal e diretamente à um determinado grupo.</p>
<p>Em diversos livros, Bagno nos estimula a pensar nessa ideia. Em <em>Não é errado falar assim</em>, outro livro de Bagno, na qual ele estuda fenômenos incorporados na língua de todos os brasileiros &#8220;cultos&#8221;, mas que ainda são estigmatizados pelos entusiastas de uma língua pura. Podemos perceber com este livro e outros do mesmo autor, que é difícil um falante perpetuar uma língua pura, não havendo-a se este obter contato com outras línguas e pessoas.</p>
<p>Imagine só, como é interessante pensar assim?</p>
<h3>Dicionário:</h3>
<p><span style="font-size: 10pt">Rapariga: moça, garota</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Bicha: fila, fila indiana</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Puto: garoto, adolescente</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Propina: Taxa, tarifa, imposto</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Bica: cafezinho</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Cacete: pão francês ou pãozinho</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Canalhas: crianças</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Punheta: prato típico de Portugal feito com bacalhau desfiado</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Ponta: tesão, grande felicidade, grande prazer</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Enfrescar-se: embebedar-se, embriagar-se</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Invisual: cego, deficiente visual</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Estomatologista: dentista</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Empregado de mesa: garçom</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Estar de histórias: estar mestruada</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Fufas: lésbicas</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Paneleiros: homosseuxuais</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Paragem: ponto de ônibus</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt">Sumo: suco</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por <a href="https://www.flow.page/rosemberg">Pedro Rosemberg</a></p>
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