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	<title>Arquivos Mulheres na ciência | Tecnoveste</title>
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	<description>Notícias de tecnologia, ciência, empreendedorismo e cultura digital</description>
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	<title>Arquivos Mulheres na ciência | Tecnoveste</title>
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		<title>O lado escuro do Universo: parte 1</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 15:30:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência e Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sabe essa foto que o Hubble fez? Ela é conhecida como Campo Profundo do Hubble (do inglês, Hubble Deep Field). O telescópio espacial Hubble fez essa imagem olhando um pedaço bem pequenininho do céu na constelação de Ursa Maior. O tamanho dessa região é de 2,5 minutos de arco, é como se você estivesse vendo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Sabe essa foto que o Hubble fez? Ela é conhecida como Campo Profundo do Hubble (do inglês, <em>Hubble Deep Field</em>). O telescópio espacial Hubble fez essa imagem olhando um pedaço bem pequenininho do céu na constelação de Ursa Maior. O tamanho dessa região é de 2,5 minutos de arco, é como se você estivesse vendo uma bola de tênis de 65mm a uma distância de cem metros. Isso é bem pequeno mesmo. O mais legal é que olhando nessa parte minúscula do céu vemos muita coisa e vemos muito longe no Universo. Temos algumas estrelas da nossa galáxia em primeiro plano, mas a maior parte dos objetos brilhantes que vemos são galáxias. Cada ponto brilhante é uma galáxia e cada galáxia tem bilhões de estrelas, estrelas como nosso Sol, estrelas maiores e também menores.</p>
<p align="justify">É muita coisa não é mesmo? E a gente nem está vendo o céu completo. Imagina conseguir ver o céu inteiro numa imagem de campo profundo desse tipo. Tem muita coisa no Universo, tanto que a gente sequer consegue quantificar na nossa mente o número de galáxias e estrelas que existem.</p>
<div id="attachment_23717" style="width: 650px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/xlarge_web.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-23717" class="wp-image-23717" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/xlarge_web.jpg?resize=640%2C361&#038;ssl=1" alt="" width="640" height="361" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/xlarge_web.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/xlarge_web.jpg?resize=1024%2C576&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/xlarge_web.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/xlarge_web.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" /></a><p id="caption-attachment-23717" class="wp-caption-text">Figura1: Imagem de Campo Profundo do Hubble. Créditos: NASA, ESA, H. Teplitz and M. Rafelski (IPAC/Caltech), A. Koekemoer (STScI), R. Windhorst (Arizona State University), and Z. Levay (STScI)</p></div>
<h4 align="justify"><b>Não vemos tudo</b></h4>
<p align="justify">Mas, e se eu te disser que toda essa matéria em forma de estrelas junto com o gás que existe nas galáxias são apenas 4% de toda matéria que existe no Universo? Tudo que a gente consegue ver através de imagens em diferentes comprimentos de onda como o rádio, infra-vermelho e raios-X, por exemplo, não chega nem a 5% de tudo que existe no Universo. É como se dos 100 ingredientes que formam o universo, apenas 4 deles são coisas que a gente conhece. São o que chamamos de matéria ordinária ou matéria bariônica. Matéria bariônica é tudo aquilo que é formado por bárions: os prótons, nêutrons e elétrons, além de gás, poeira, fótons e neutrinos.</p>
<h4 align="justify"><b>Cadê o resto?</b></h4>
<p align="justify">Bom, mas e o resto? Cadê o resto dos ingredientes? O que eles são? <a href="https://www.tecnoveste.com.br/a-historia-do-universo-para-quem-tem-pressa/">Em um post anterior</a>, eu falei com vocês sobre a história do Universo e chegamos até o ponto em que falamos da sua composição. A maior parte do conteúdo material do Universo é escuro: energia e matéria escuras. Escuras porque não sabemos do que são constituídas, mas entendemos os efeitos que elas causam. Sabemos também a proporção em que devem existir: cerca de 70% de energia escura para fazer a expansão do Universo hoje ser acelerada e 26% de matéria escura para explicar como as “coisas” estão organizadas no Universo, ou seja, como e onde as galáxias estão aglomeradas.</p>
<h4 align="justify"><b>Matéria Escura</b></h4>
<div id="attachment_23715" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/dm_tecno-1.jpeg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-23715" class="wp-image-23715 size-medium" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/dm_tecno-1.jpeg?resize=300%2C207&#038;ssl=1" alt="" width="300" height="207" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/dm_tecno-1.jpeg?resize=300%2C207&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/dm_tecno-1.jpeg?w=760&amp;ssl=1 760w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-23715" class="wp-caption-text">Figura 2: Charge. Todos perguntam &#8220;O que é a matéria escura?&#8221; e &#8220;Onde está a matéria escura?&#8221; Mas ninguém pergunta &#8220;Como está a matéria escura?&#8221;</p></div>
<p align="justify">A primeira evidência da existência da matéria escura veio a partir de estudos do astrônomo Fritz Zwicky, em 1933. Ao aplicar o teorema do virial para estudar o aglomerado de Coma, Zwicky deveria obter como resultado uma diminuição na velocidade de rotação das galáxias das partes mais externas do aglomerado em detrimento das galáxias mais centrais. Todavia, ele observou que as galáxias mais externas se moviam tão rápido quanto as centrais. Para que isso fosse possível, deveria existir mais matéria nas partes mais externas do que a matéria observada (matéria luminosa). Em outras palavras, toda matéria que emite luz: estrelas, gás e poeira, não é suficiente para explicar a velocidade de rotação das galáxias dentro do aglomerado. Deve existir uma matéria que não conseguimos ver mas que está ali fazendo as coisas se moverem mais rápido.</p>
<h4 align="justify"><b>Vera Rubin, a rainha das galáxias</b></h4>
<p>&nbsp;</p>
<div style="width: 436px" class="wp-caption alignright"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" src="https://i0.wp.com/www.ufmg.br/espacodoconhecimento/wp-content/uploads/2020/04/verarubin2-768x477.png?resize=426%2C265" alt="" width="426" height="265" /><p class="wp-caption-text">Figura4: Vera Rubin. Créditos: The Washington Post</p></div>
<div id="attachment_23719" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/courbe-de-rotation-d-une-galaxie_medium.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-23719" class="wp-image-23719 size-medium" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/courbe-de-rotation-d-une-galaxie_medium.jpg?resize=300%2C225&#038;ssl=1" alt="" width="300" height="225" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/courbe-de-rotation-d-une-galaxie_medium.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/courbe-de-rotation-d-une-galaxie_medium.jpg?resize=45%2C35&amp;ssl=1 45w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/courbe-de-rotation-d-une-galaxie_medium.jpg?w=320&amp;ssl=1 320w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-23719" class="wp-caption-text">Figura 3: Curva de rotação de galáxias espirais. Em azul (A), a curva de rotação calculada usando as equações de Newton, vermelho (B), a curva de rotação observada em função da distância das estrelas em relação ao centro da galáxias. Crédito : www.astronoo.com</p></div>
<p align="justify">Outra importante evidência da existência de matéria escura veio a partir da contribuição de Vera Rubin, uma astrônoma estadunidense pioneira no estudo de curvas de rotação de galáxias espirais. A Vera Rubin junto com o colega Kent Ford, estudaram a galáxia de Andrômeda, nossa vizinha, e observaram que as estrelas mais externas da galáxias giravam tão rápido quanto as estrelas centrais. Isso ia contra as leis de Newton, assim como observado por Zwicky anteriormente. Portanto, a Vera Rubin comprovava a existência da matéria escura que, apesar de ser invisível, influenciava no movimento das estrelas devido a interação gravitacional.</p>
<h4 align="justify"></h4>
<h4 align="justify"><b>Lentes gravitacionais</b></h4>
<p align="justify">Desde então, sabemos que precisamos da matéria escura pra explicar essas e outras observações astronômicas. Outro exemplo é o efeito de lentes gravitacionais, que ocorre quando a luz é desviada ao passar por uma região muito massiva do espaço-tempo. Logo, se em um aglomerado de galáxias temos matéria escura além da matéria luminosa, a luz deve ser defletida ao passar por essa região e provocar o efeito de lenteamento: que pode ser desde imagens múltiplas até arcos gravitacionais (como mostra a figura 5 abaixo).</p>
<div id="attachment_23721" style="width: 310px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/hs-article-0720a-2400x1840-2.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-23721" class="wp-image-23721 size-medium" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/hs-article-0720a-2400x1840-2.jpg?resize=300%2C230&#038;ssl=1" alt="" width="300" height="230" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/hs-article-0720a-2400x1840-2.jpg?resize=300%2C230&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/hs-article-0720a-2400x1840-2.jpg?resize=1024%2C785&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/hs-article-0720a-2400x1840-2.jpg?resize=768%2C589&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/hs-article-0720a-2400x1840-2.jpg?resize=1536%2C1178&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/hs-article-0720a-2400x1840-2.jpg?resize=2048%2C1570&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/hs-article-0720a-2400x1840-2.jpg?resize=45%2C35&amp;ssl=1 45w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-23721" class="wp-caption-text">Figura 5: Aglomerado de galáxias Abell 370, localizado a 4 bilhões de anos-luz de distância. Além de uma enorme quantidade de galáxias, existem arcos de luz azul. Esses arcos são, na verdade, imagens distorcidas de galáxias que estão atrás do aglomerado.</p></div>
<div id="attachment_23722" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-23722" class="wp-image-23722 size-medium" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?resize=300%2C217&#038;ssl=1" alt="" width="300" height="217" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?resize=300%2C217&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?resize=1024%2C740&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?resize=768%2C555&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?resize=1536%2C1110&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?resize=278%2C202&amp;ssl=1 278w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?resize=373%2C270&amp;ssl=1 373w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?resize=567%2C410&amp;ssl=1 567w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?resize=475%2C342&amp;ssl=1 475w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2021/03/bulletcluster_comp_f2048.jpg?w=2048&amp;ssl=1 2048w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-23722" class="wp-caption-text">Figura 6: Imagem combinada do aglomerado de Bala. Vemos, em vermelho, a distribuição de matéria bariônica, vista a partir da emissão em raios-X e a matéria escura em azul, vista a partir do efeito de lenteamento gravitacional.</p></div>
<h4 align="justify"></h4>
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<h4 align="justify"><b>O aglomerado de Bala</b></h4>
<p align="justify">Por fim, vamos falar um pouco sobre a melhor evidência de matéria escura que temos até hoje: o aglomerado de Bala (do inglês, Bullet Cluster). Esse aglomerado é, na verdade, o resultado da colisão de dois aglomerados de galáxias. Lembre-se que nos aglomerados de galáxias temos estrelas, gás e matéria escura.</p>
<p align="justify">Durante a colisão, as estrelas das galáxias observadas na faixa de luz visível não são afetadas pela colisão – apesar do aglomerado colidir, as estrelas são no máximo desviadas por efeitos gravitacionais. Olhando na faixa dos raios-X, conseguimos ver o gás quente que existe nos aglomerados. Os gases, por sua vez, interagem eletromagneticamente durante a colisão, de tal forma que se movem mais lentamente do que as estrelas. Finalmente, a componente de matéria escura é detectada indiretamente devido aos efeitos de lenteamento gravitacional dos objetos de fundo. Isso confirma e reforça o fato de que a matéria escura interage apenas gravitacionalmente.</p>
<p align="justify">Espero que o lado escuro tenha ficado mais claro para vocês. Nos encontramos no próximo post para falar sobre a energia escura.</p>
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		<title>Existe mulheres na paleontologia?</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 10:00:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É notável a forte presença masculina na história da Ciência. Na paleontologia não é diferente. Entretanto as mulheres estavam lá. Além da pesquisa, as primeiras cientistas lutavam pela classe e seus direitos. Mary Anning nasceu em Lyme Regis, região litorânea da Inglaterra, conhecida como Costa Jurássica em 1799. Paleontóloga e colecionadora de fósseis, foi seu [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É notável a forte presença masculina na história da Ciência. Na paleontologia não é diferente. Entretanto as mulheres estavam lá. Além da pesquisa, as primeiras cientistas lutavam pela classe e seus direitos.</p>
<p>Mary Anning nasceu em Lyme Regis, região litorânea da Inglaterra, conhecida como Costa Jurássica em 1799. Paleontóloga e colecionadora de fósseis, foi seu pai, um entusiasta da paleontologia, que a ensinou a coletar, limpar e manusear fósseis. Após sua morte, Mary continua a explorar e segue seus estudos por conta própria, inclusive anatomia e fisiologia.</p>
<p>Dentre as descobertas de Mary estão, o primeiro fóssil de Ictiossauro, um esqueleto completo de Plesiossauro, em 1823. Muito inteligente, estudou e inferiu que coprólitos são excrementos fossilizados. Além disso, desenhou e catalogou inúmeras espécies.</p>
<p>Naquela época, a academia científica era formada pela elite masculina. Devido a isto, diversas descobertas de Anning não foram creditadas com seu nome. Atualmente suas contribuições científicas são reconhecidas, entretanto a história se repete com outras mulheres ao longo do tempo. Mesmo nos dias atuais, mulheres são desacreditadas a todo tempo. A Ciência não possui gênero, é amoral e deve ser para todos e todas. A história completa de Mary pode ser conferida no filme Ammonite, estrelado por Kate Winslet.</p>
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		<title>Lugar de mulher também é fazendo ciência!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[diele-viegaslm]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2020 17:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência e Educação]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[direitos das mulheres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As mulheres vem conquistando cada vez mais espaços que antes eram ocupados majoritariamente por homens. Na ciência, isso não é diferente. Ao longo das últimas décadas, a busca das mulheres por igualdade de gênero tem se intensificado no ambiente acadêmico, e cada vez mais é possível encontrar mulheres sendo reconhecidas e valorizadas pelas suas pesquisas. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_18923" style="width: 411px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/DSC_0015CL-e1590362224449.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18923" class="wp-image-18923 " src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/DSC_0015CL-e1590362224449-300x228.jpg?resize=401%2C305&#038;ssl=1" alt="" width="401" height="305" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/DSC_0015CL-e1590362224449.jpg?resize=300%2C228&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/DSC_0015CL-e1590362224449.jpg?resize=45%2C35&amp;ssl=1 45w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/DSC_0015CL-e1590362224449.jpg?w=619&amp;ssl=1 619w" sizes="(max-width: 401px) 100vw, 401px" /></a><p id="caption-attachment-18923" class="wp-caption-text">Foto:<a href="https://www.instagram.com/waltercomdabliu/" class="broken_link"> Walter Costa Neto</a></p></div>
<p>As mulheres vem conquistando cada vez mais espaços que antes eram ocupados majoritariamente por homens. Na ciência, isso não é diferente. Ao longo das últimas décadas, a busca das mulheres por igualdade de gênero tem se intensificado no ambiente acadêmico, e cada vez mais é possível encontrar mulheres sendo reconhecidas e valorizadas pelas suas pesquisas.</p>
<div id="attachment_18918" style="width: 569px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Jacqueline-foto-reprodu%C3%A7%C3%A3o-Lattes.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18918" class=" wp-image-18918" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Jacqueline-foto-reprodu%C3%A7%C3%A3o-Lattes.jpg?resize=559%2C474&#038;ssl=1" alt="" width="559" height="474" /></a><p id="caption-attachment-18918" class="wp-caption-text">Foto: <a href="http://lattes.cnpq.br/5852030355340056">Dra. Jaqueline Góes de Jesus</a>, cientista que coordenou o sequenciamento do <a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Work/noticia/2020/05/conheca-cientista-negra-e-nordestina-que-coordena-luta-contra-o-covid-19-no-brasil.html">genoma do COVID-19</a>, em Fevereiro de 2020. <em>Reprodução: Curriculo Lattes.</em></p></div>
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<p>Apesar disso, ainda há muitos espaços a serem conquistados, e na <a href="https://science.sciencemag.org/content/363/6429/825.2" class="broken_link">América latina</a> isso é ainda mais evidente. Numa sociedade em que o orgulho masculino é enraizado através do machismo, ainda há um número reduzido de mulheres em posições de poder, as quais são ocupadas majoritariamente por homens brancos e héteros. A necessidade constante de provar o seu valor, a sua capacidade e o seu conhecimento assombram as mulheres cientistas em diversas áreas de atuação e em todas as fases da sua formação, levando-as muitas vezes a duvidarem de si mesmas, o que gera um sentimento de impotência, insegurança e baixa autoestima. Por conta disso, muitas mulheres acabam optando por abandonar suas carreiras em diferentes estágios acadêmicos, fenômeno conhecido como vazamento de duto.</p>
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<p>Estas cobranças são ainda maiores para mulheres que são <a href="https://ieeexplore.ieee.org/document/8819567" class="broken_link">mães</a>, uma vez que as medidas de sucesso no meio acadêmico ainda hoje são pautadas em métrias simplistas de uma produtividade meritocrática onde o número de artigos publicados muitas vezes conta mais do que a qualidade do trabalho executado. Vale ressaltar ainda que mulheres de diferentes raças, classes, identidades e orientações sofrem de maneira diferente com o machismo enraizado.</p>
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<p>Para evitar o vazamento de duto e estimular que meninas e mulheres sigam seus sonhos de se tornarem cientistas, diversas redes de apoio tem surgido ao redor do mundo. Tais redes são formadas muitas vezes exclusivamente por mulheres, e tem como objetivo principal a busca pela igualdade de gênero nas ciências. No Brasil, já existem incontáveis iniciativas como esta espalhadas por todo o país, desde aquelas voltadas para áreas específicas até aquelas mais abrangentes. Aqui, iremos destacar duas destas iniciativas: o <a href="http://www.neim.ufba.br/wp/">Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher</a> (NEIM), fundado em 1983, e a <a href="https://www.instagram.com/kunhaase/" class="broken_link">Rede Kunhã Asé de Mulheres na Ciência</a>, fundada em 2019.</p>
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<p>Além de ter sido pioneiro na abordagem da temática feminista dentro do ambiente acadêmico no Brasil, o NEIM se destaca por sua excelente atuação na promoção de atividades nas áreas de Ensino, Pesquisa e Extensão, os três pilares da Universidade Pública, com enfoque na formação de uma consciência crítica a respeito das relações de gênero hierárquicas comuns na nossa sociedade. O núcleo atua com o propósito de estimular a realização de pesquisas interdisciplinares acerca da temática de gênero, além de fornecer subsídios para formulação de políticas públicas que visem a equidade de gênero e desenvolver atividades de ensino e extensão na temática.</p>
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<div id="attachment_18920" style="width: 491px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/NEIM.png?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18920" class=" wp-image-18920" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/NEIM.png?resize=481%2C146&#038;ssl=1" alt="" width="481" height="146" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/NEIM.png?resize=300%2C91&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/NEIM.png?w=633&amp;ssl=1 633w" sizes="(max-width: 481px) 100vw, 481px" /></a><p id="caption-attachment-18920" class="wp-caption-text">Símbolo do <a href="http://www.neim.ufba.br/wp/">Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher</a> (NEIM).</p></div>
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<p>A Rede Kunhã Asé de mulheres na Ciência, por sua vez, é uma rede que busca fornecer apoio emocional e intelectual à meninas e mulheres que se interessem por ciência, visando promover seu ingresso e permanência no ambiente acadêmico e assim diminuir o vazamento de duto. Seu nome é uma homenagem aos povos indigenas e negros, e significa Mulher Poderosa (Mulher = em Guaraní, “Kunhã”; Poderosa/de Poder = em Yorubá, “Asé”), nos remetendo à força da mulher e desses povos tão importantes para a construção da sociedade Brasileira, e ao mesmo tempo tão injustiçados. Ao contrário do NEIM, a rede Kunhã Asé é uma iniciativa recente, mas vem ganhando destaque na <a href="https://ccdcufba.com/2020/03/21/lugar-de-mulher-e-na-ciencia/">mídia</a> por conta de suas ações em prol da equidade de gênero nas ciências.</p>
<div id="attachment_18919" style="width: 440px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/marca-kunha-ase-25-SET-PNG-_Prancheta-1.png?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18919" class=" wp-image-18919" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/marca-kunha-ase-25-SET-PNG-_Prancheta-1.png?resize=430%2C430&#038;ssl=1" alt="" width="430" height="430" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/marca-kunha-ase-25-SET-PNG-_Prancheta-1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/marca-kunha-ase-25-SET-PNG-_Prancheta-1.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/marca-kunha-ase-25-SET-PNG-_Prancheta-1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/marca-kunha-ase-25-SET-PNG-_Prancheta-1.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/marca-kunha-ase-25-SET-PNG-_Prancheta-1.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/marca-kunha-ase-25-SET-PNG-_Prancheta-1.png?resize=2048%2C2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/marca-kunha-ase-25-SET-PNG-_Prancheta-1.png?w=3000&amp;ssl=1 3000w" sizes="(max-width: 430px) 100vw, 430px" /></a><p id="caption-attachment-18919" class="wp-caption-text">Símbolo da <a href="https://www.instagram.com/kunhaase/" class="broken_link">Rede Kunhã Asé de Mulheres na Ciência</a>.</p></div>
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<p>Através de três linhas de atuação principais, a rede busca estimular o ingresso de meninas nas ciências (Linha Semear); acolher mulheres no início de suas jornadas acadêmicas, diminuindo assim o chamado vazamento de duto (Germinar); e, por fim, mapear as dificuldades de mulheres cientistas nas suas carreiras e buscar soluções pragmáticas para saná-las (Florescer). Dentre as diferentes atividades promovidas pela rede, estão visitas à escolas, participação em eventos e promoção de oficinas e <a href="http://www.mulheres.ba.gov.br/2020/02/2754/Mulheres-na-ciencia-pesquisadoras-constroem-agenda-feminista.html" class="broken_link">mesas redondas</a>.</p>
<p>Durante a pandemia, a rede migrou suas atividades para o ambiente online, e tem oferecido oficinas e palestras através de seu instagram. Um exemplo disso é o quadro <a href="https://www.agendartecultura.com.br/principais/rede-kunha-ase-debate-producao-cientifica-mulheres-pandemia/">“Coisa de Mulher”</a>, que visa promover bate papos ao vivo sobre as mais diferentes temáticas que tangem a realidade enfrentada pelas mulheres nas ciências. Sempre contando com uma convidada especializada no tema da semana, o quadro ocorre toda quarta feira no Instagram, e é disponibilizado em seguida no canal do <a href="https://www.youtube.com/channel/UCRUG-FmNgGNhNHdYjuJUJSg?view_as=subscriber">Youtube</a>. Vale a pena conferir!</p>
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<div id="attachment_18917" style="width: 310px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Feed-1.png?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-18917" class="size-medium wp-image-18917" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Feed-1.png?resize=300%2C300&#038;ssl=1" alt="" width="300" height="300" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Feed-1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Feed-1.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Feed-1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Feed-1.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Feed-1.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><p id="caption-attachment-18917" class="wp-caption-text">Folheto de divulgação do quadro <a href="https://www.agendartecultura.com.br/principais/rede-kunha-ase-debate-producao-cientifica-mulheres-pandemia/">&#8220;Coisa de Mulher&#8221;</a>, da Rede Kunhã Asé.</p></div>
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<p>Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, o empenho destas e outras redes de apoio tem tido resultado, e cada vez mais mulheres estão entrando e permanecendo no meio acadêmico. Estas redes nos mostram algo bem claro: Lugar de Mulher é onde ela quiser, inclusive fazendo ciência!</p>
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		<title>Sobre a Matemática e sua aprendizagem para mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jaqueline Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Dec 2019 14:09:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência e Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Miscelânea]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[computação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sempre houve uma falácia impregnada em nossa sociedade que afirma que o aprendizado das mulheres em disciplinas das áreas de Ciências Exatas e Tecnológicas e, em destaque, está a Matemática, não pode ser comparado com o aprendizado dos homens. Digo falácia, porque poucas pesquisas sólidas foram desenvolvidas, focadas nesta área. No sentido de contrapor esta [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre houve uma falácia impregnada em nossa sociedade que afirma que o aprendizado das mulheres em disciplinas das áreas de Ciências Exatas e Tecnológicas e, em destaque, está a Matemática, não pode ser comparado com o aprendizado dos homens. Digo falácia, porque poucas pesquisas sólidas foram desenvolvidas, focadas nesta área.</p>
<p>No sentido de contrapor esta falácia, diversos estudos sobre diferenças de gênero em habilidades Matemáticas tem sido desenvolvidos nesta área nos últimos tempos, conforme pode ser observado <a href="https://www.revistaeducacao.com.br/mulheres-homens-matematica/">neste artigo</a> do Fernando Lousada para a Revista e Educação, em 2018.</p>
<p>Diversos fatores biológicos foram investigados e verificou-se que o grande diferencial não está na questão do gênero, e sim na carga horária destinada ao treinamento do pensar Matemático durante os primeiros anos de vida. Neste sentido, de acordo com a Unesco, as adolescentes não buscam as Ciências Exatas na mesma proporção que os adolescentes e isto está comprovado num comportamento social de não adotar como hábito a inserção das mesmas em tais atividades desde as idades iniciais, apesar de o interesse das crianças pela área ser o mesmo, independente do sexo.</p>
<p>A sociedade adota um comportamento sexista e com estereótipos de gênero quando as crianças ainda estão em idade escolar, desmotivando as estudantes a insistirem com o treinamento do pensar Matemático. As poucas mulheres que, em vida adulta, compõem as estatísticas e escolhem as áreas de Ciências Exatas e Tecnológicas como profissão ainda enfrentam outro diferencial social que é um grande fator desmotivante: o preconceito. Ouvem em seu dia a dia comentários machistas e desmotivadores de colegas de trabalho e isso, muitas vezes reflete na forma como ela influencia e incentiva as mulheres de gerações futuras a até mesmo não optar pela área.</p>
<p>Conforme pode ser visto neste <a href="https://revistaensinosuperior.com.br/mulheres-nas-exatas/">artigo</a> de Diego Braga, da Revista Ensino Superior em 2018, este comportamento reflete ferozmente nas escolhas das mulheres em idade adulta. De fato, pois de acordo com a SBPC, apenas 15% dos estudantes matriculados em cursos de Ciências da Computação e Engenharias são mulheres. Quando se fala em produção científica a nível global, apenas 30% dos artigos produzidos na área são assinados por mulheres. Ao fazer um refinamento específico na área de Matemática, as estatísticas são ainda mais desanimadoras.</p>
<p>Um artigo publicado recentemente na revista <a href="https://www.pnas.org/content/116/31/15435" class="broken_link">PNAS</a> mostra que esta realidade tem uma justificativa simples e dá esperanças de que definitivamente pode ser alterada. Ao analisar cerca de 300 mil estudantes de 15 anos em 64 países diferentes quanto ao desempenho na leitura e na Matemática, os pesquisadores mostraram que o desempenho é muito próximo na Matemática, independente do sexo. E na leitura, o desempenho chega a ser 80% melhor para as estudantes. Então a pesquisa conclui que este pode ser considerado um forte fator para que as mesmas escolham as áreas de Ciências Humanas para se profissionalizar.</p>
<p>Enquanto Matemática formada há 16 anos, docente em um Instituto de Engenharias há quase 10 anos, fico feliz em observar uma modesta evolução do número de mulheres nas salas de aula. E corroboro as conclusões das pesquisas quando informam que o desempenho dos estudantes pode ser o mesmo, independente do sexo. O que muda é a forma como o pensar Matemático está inserido na vida do estudante quando o mesmo ainda está em idade infantil e em como isso continua fazendo parte da vida do mesmo quando chega em idade adolescente e adulta. Ou seja, o maior fator desmotivante ainda é a sociedade.</p>
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