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	<title>Arquivos violência | Tecnoveste</title>
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	<description>Notícias de tecnologia, ciência, empreendedorismo e cultura digital</description>
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	<title>Arquivos violência | Tecnoveste</title>
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		<title>Outras ideias foram adotadas, menos uma.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gustavo Braz]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2020 12:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ilustrações & Quadrinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tenha muito cuidado na hora de adotar uma ideia, todas parecem inocentes no primeiro momento, porque são indefesas a julgar pelo tamanho.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-speechify-sentence="">Tenha muito cuidado na hora de adotar uma ideia, todas parecem inocentes no primeiro momento, porque são indefesas a julgar pelo tamanho.</p>
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		<title>Violência sexual infantil: omissão e negligência da família e sociedade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Douglas Leonardo Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2020 09:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[abuso sexual]]></category>
		<category><![CDATA[crianças]]></category>
		<category><![CDATA[negligência]]></category>
		<category><![CDATA[omissão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recentemente um caso muito polêmico viralizou nas redes sociais e na boca de muitas pessoas. Trata-se do caso em que a garotinha de 10 anos, vítima de violência sexual, engravidou daquele que a abusou. Para muitas pessoas, este é um caso chocante. Porém, para outras, está longe de ser novidade, afinal de contas ela já [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente um caso muito polêmico viralizou nas redes sociais e na boca de muitas pessoas. Trata-se do caso em que a garotinha de 10 anos, vítima de violência sexual, engravidou daquele que a abusou.</p>
<p>Para muitas pessoas, este é um caso chocante. Porém, para outras, está longe de ser novidade, afinal de contas ela já vinha sendo molestada, violentada e nada fez. Muitos acreditam que ela estava aceitando aquela situação. A verdade é que NÃO. Não se trata apenas de dizer um simples &#8216;para com isso&#8217;, afinal de contas o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê no artigo 4º, caput, que é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público, assegurar com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, educação, esporte, lazer, profissionalização, cultura, dignidade, respeito, liberdade e convivência comunitária e familiar.</p>
<p>Significa dizer que a culpada não é e não será uma garota de 10 anos que, naquela circunstância, se via impedida de dizer algo, se é que ela tinha condições psicológicas para tal.</p>
<blockquote>
<p id="viewer-1orio" class="XzvDs _208Ie tFDi5 blog-post-text-font blog-post-text-color _2QAo- _1iXso _7G6-i tFDi5 public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><strong><em>No Brasil, três crianças e adolescentes são abusados a cada hora. Dentre as crianças, 51% tem 1 a 5 anos. Em 48% dos casos, esses abusos ocorrem em casa. Negros e mulheres são maioria entre as vítimas. Tanto entre adolescentes quanto crianças, as vítimas negras lideram (55,5% e 45,5%, respectivamente).</em></strong></p>
<p id="viewer-fkr1b" class="XzvDs _208Ie tFDi5 blog-post-text-font blog-post-text-color _2QAo- _1iXso _7G6-i tFDi5 public-DraftStyleDefault-block-depth0 public-DraftStyleDefault-text-ltr"><strong><em>Crianças e adolescentes do sexo feminino também são maioria entre as vítimas de violência sexual. Representam 74,2% dentre as crianças e um número ainda maior dentre as adolescentes: 92,4%. (Dados do Ministério da Saúde)</em></strong></p>
</blockquote>
<p>A questão pode ser vista como o fato de que o abusador tinha problemas psicológicos, não sabia o que estava fazendo. A resposta, no entanto, não se trata apenas de atribuir ao caso uma fatalidade, mas devemos assumir nossos papéis enquanto guardiões das crianças. Não é certo se vangloriar de uma criança que foi vítima de um abuso e se encontra grávida, pois aquela vida foi fruto de algo terrível. Precisamos olhar com empatia e justiça para o caso e não simplesmente encher nossas redes sociais com comentários comuns, do tipo &#8216;que coisa horrível&#8217;; &#8216;que absurdo!&#8217;, pois comentários como estes existem muito, mas ações, de fato são mínimas.</p>
<p>A sociedade está corrompida em pensamentos arcaicos e desumanos. Existem pessoas que diziam que a garota estava gostando, pois vinha tendo abusos antes mesmo de completar 10 anos. Independentemente de estar ou não gostando, não justifica defender um abusador, pois ao fazerem isso, estão virando às costas para a responsabilidade afetiva e para o respeito ao próximo, se é que essas pessoas têm isso.</p>
<p>O Poder Público deve intervir, sim, nestes casos. Várias ações devem ser tomadas, mas a mais importante começa dentro de nós. Mudar o olhar e enxergar aquela criança como uma menina sonhadora, que teve sua infância corrompida, que carregará consigo aquele trauma pelo resto da vida. Será que as pessoas pensaram nisso? E se fosse sua filha? Se fosse sua sobrinha? Obviamente seria uma barbárie, mas por ser uma pessoa estranha ao nosso ciclo social, tendemos a ver o caso como um mero fato típico que aconteceu. E pronto.</p>
<p>Por favor, nossa sociedade já está repleta de inversão de valores e como isso é algo subjetivo eu não pretendo manipular o pensamento de ninguém, porém tenho um pedido a fazer: desculpas. Precisamos nos desculpar com as crianças, porque são inocentes (sim, por ela ter 10 anos não a torna uma pessoa capaz o bastante de estabelecer juízo de valor), são puras de coração e são seres humanos dignas de respeito. Precisamos nos desculpar por uma atitude egoísta que às vezes temos, em achar que nosso teto não é de vidro.</p>
<p>Precisamos de amor. Precisamos de empatia.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O ano do pensamento mágico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[vitorlrichner]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2020 04:51:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[chile]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[manifestação social]]></category>
		<category><![CDATA[pensamento mágico]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meu pai tinha acabado de morrer. A empresa onde eu trabalhava há três anos anunciou que ia fechar as portas. Minhas amizades de anos, ruindo. Esse foi o prefácio das minhas férias no ano passado. Tudo marcado, agendado e parcialmente pago à vista e parcelado. Lembro que chamei o Uber na madrugada de uma terça-feira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Meu pai tinha acabado de morrer. A empresa onde eu trabalhava há três anos anunciou que ia fechar as portas. Minhas amizades de anos, ruindo.</p>
<p>Esse foi o prefácio das minhas férias no ano passado. Tudo marcado, agendado e parcialmente pago à vista e parcelado. Lembro que chamei o Uber na madrugada de uma terça-feira de outubro e no caminho pela marginal Tietê deserta, senti um nó no estômago pensando se eu deveria ou não fazer aquela viagem em um clima tão instável. Eu não sabia na hora, mas aquela viagem mudaria minha vida.</p>
<p>Eu fui. E parte de mim, não voltou mais.</p>
<p><a href="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/06/show_de_truman_vob.jpg?ssl=1"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-19154" src="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/06/show_de_truman_vob.jpg?resize=300%2C172&#038;ssl=1" alt="" width="300" height="172" srcset="https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/06/show_de_truman_vob.jpg?resize=300%2C172&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/www.tecnoveste.com.br/wp-content/uploads/2020/06/show_de_truman_vob.jpg?w=752&amp;ssl=1 752w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a></p>
<p>Dias depois de chegar no deserto do Atacama, o país sofreu um abalo sísmico-social. Por toda a parte, chilenos pareciam ter despertado de uma espécie de coma induzido. Eu sabia muito pouco da história chilena. Meu conhecimento buletizado de eventos políticos se restringia a uma das piores ditaduras da América do Sul e ao um enganoso ideal de superação política. Um oásis em meio ao subdesenvolvimento, lembro de ter lido.</p>
<p>Cheguei em Santiago em meio a cheiro de gás lacrimogêneo, borracha queimada e comida colombiana. E foi ali, no meio desse caos, que sentei em um restaurante na praça principal, com tocadores de tambor, pombos e vendedores ambulantes que, entre um canecão de chope e água com gás, eu me transformei. Não foi coincidência que ali, entre tanques de guerra, bombas e paneladas, também determinei quais caixas eu levaria na minha mudança e quais quinquilharias eu deixaria para trás.</p>
<p>E apesar do clima, a única sensação que eu conseguia experimentar era a de paz.</p>
<p>O exercício de se conhecer é um dos mais difíceis. Assumir que não somos bons o suficiente (para quem, né?), assumir nossas falhas, nosso jeito de afetar o mundo e as pessoas. Mas, principalmente, assumir as nossas violências. Violência sentido da topologia da violência com uma manifestação microfísica. E a linguagem é um dos maiores caminhos da violência. Por isso, temos tanto medo de nomear as coisas. Se não tem nome, não existe.</p>
<p>Um amigo na faculdade se referia a uma conhecida como tendo uma “voz de pêssego”. Sabe? Aquela voz aveludada, gentil, que esconde o caroço deformado e duro por dentro. Sempre lembro dessa expressão e ouço ressabiado as tais vozes de pêssego.</p>
<p>Em uma manifestação social, a linguagem autoritária não é aquela apenas da ordem. Do imperativo. Mas é aquela que não aceita, que rejeita e que destrata, mesmo no virtual, o outro e seus afetos. É o conhecido “falar mal”.</p>
<p>Olhar para essa arqueologia, nos faz entender que a obstinação humana foi o que levou Freud a admitir a existência do impulso para a morte como um gerador de impulsos destrutivos que vão circulando até serem descarregados em um objeto.</p>
<p>É no outro que descarrego meu impulso:</p>
<p>Eu sou feio, mas é o outro que não atende aos padrões eurocentrados de beleza. Estou solteiro, mas é porque os outros é que são desinteressantes. Eu não tenho dinheiro, mas é o outro que está gastando demais. E por ai vai um longo caminho de construção autoritária e violenta.</p>
<p>O pensamento mágico é constante.</p>
<p>Em agosto de 1578, morre em Portugal o rei Dom Sebastião. Solteiro e sem filhos, deixou um espaço vazio de legado que gerou um sentimento eterno nos portugueses que passaram a esperar por um novo rei que iria restaurar a glória portuguesa. Fácil de encontrar na literatura e na poesia, esse sentimento, chamado de sebastianismo é algo bastante curioso. Ele se traduz nesse contexto de pensamento mágico. Para se ter uma ideia do poder do sebastianismo, essa ideia aparece nos registros da guerra de canudos em 1897 com Antonio Conselheiro prometendo a volta do rei Dom Sebastião aos seus seguidores.</p>
<p>É parte da nossa cultura o sebastianismo. Anda de mãos dadas com o pensamento mágico. E nos afeta como pessoas e como construção de identidade nacional: o Brasil está mal, quem vai nos salvar? Tancredo Neves! O Brasil vai ser salvo por um homem correto, jovem e firme, que vai varrer a velha política: Fernando Collor de Mello. O Brasil está economicamente prestes à falir, quem vai arrumar a economia? Fernando Henrique Cardoso. Não, o que o Brasil precisa é ser salvo por um homem do povo: Lula. Não, o Brasil vai ser salvo por alguém que coloque o país acima de tudo: Bolsonaro.</p>
<p>A esperança no sebastianismo está quase como um DNA nosso. Estamos sempre a espera de um milagre que vai nos salvar de nós mesmos. Nesse sentimento, o ruim é outro, o errado é o outro. O “Eu” se torna um coadjuvante frente a linguagem violenta, passivo, condolente e livre de obrigações. Não será uma recomendação de entidades e profissionais de saúde que vai nos livrar de uma pandemia: será um milagre, vindos dos céus, pelas mãos de anjos que vai nos salvar.</p>
<p>E na falta da resposta a esse protagonismo, ficamos em silêncio. Já reparou como existe uma máxima nas aulas de história de que o Brasil nunca passou por uma guerra? Temos revoltas populares, levantes, manifestações, mas nunca guerras. Um silêncio que rege as violências.</p>
<p>Para se ter uma ideia, a palavra feminicídio só entrou no nosso vocabulário em 2015.</p>
<p>Enquanto estava sentado naquela praça, entendi que meu mundo era sempre o mundo do outro. Eu era violento, mas era o outro que me provocava expressões violentas. Atitudes, discursos, verdades violentas estavam sempre de mãos dadas comigo. Quando não as pessoas, o problema era o Brasil. O Brasil era violento e autoritário. E de fato, é, como provou a historiadora Lilia Schwarcz. Mas difícil foi entender que, na verdade, eu era o reflexo desse país. Um filho da pátria que absorveu essas características. O retrato do Brasil.</p>
<p>Romper padrões, romper com o pensamento mágico e com a forma como ele constrói mundos e realidades, é mais difícil do que se imagina. É um exercício diário. A sensação é que sobrevivi a mim mesmo. As coisas precisam ter nomes. A gente precisa encontrar formas de quebrar as violências. Todos os dias, o tempo todo.</p>
<p>E como o pensamento mágico é autorreferencial, fugir dele é um exercício solitário. E silencioso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora, uma ideia que está zumbindo no meu ouvido: somos um país de silêncios. Mas deve ser justamente por isso que somos tão barulhentos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por Vitor Richner</p>
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